O show

Calor, cansaço, falta de espaço. Isso era o que os fãs lidavam enquanto aguardavam pelo show, mas não que isso fizesse diferença para a maioria (que não estava passando mal). As pessoas continuavam ansiosas para o show. O frio na barriga era geral e só de pensar no momento em que a banda entraria no palco, muitos sentiam seus olhos encherem de lágrimas. Era possível ouvir um “chororô” aqui ou ali.

Quando as luzes começaram a acender e apagar, a maioria teve um pequeno ataque do coração, mas eram apenas pequenos testes para ver se estava tudo ok antes do início. Cada vez que mexiam em luzes, havia uma gritaria, e parecia que alguém estava se divertindo com isso.

Na lateral do palco dava pra ver o maquiador da banda, Asanuma Kaoru, rindo das reações dos fãs, principalmente quando o manager da banda ou algum outro staff passava com câmeras apontadas para o público. Todos esqueciam as coisas ruins que estavam passando naquele momento e gritavam e acenavam.

Quando quatro staffs subiram no palco para ajustarem os instrumentos, foi como se a própria banda tivesse aparecido ali. Os próprios staffs riram daquela reação do público. A cada nota que tocavam era uma histeria coletiva. Os fãs estavam adorando. Um dos staffs ainda acenou para os fãs, causando gritaria maior ainda.

Mas a cada uma dessas emoções fortes, o empurra-empurra aumentava, e o pessoal mais perto da grade não podia evitar passar mal, alguns ainda se despiam devido ao calor, outros imploravam por água aos staffs, mas obviamente não havia o suficiente para todos.

Os fãs que estavam na frente faziam de tudo para serem notados pela banda, exibindo tatuagens, bandeiras, pulseiras neon. A maioria já havia até se esquecido de seus fanprojects, e alguns já enchiam bexigas que deveria ser cheias num momento específico do show e jogavam pelo local.

A cena daquela quantidade de gente reunida para ver a banda num país do outro lado do mundo devia ser tão linda, que os staffs subiram numa das estruturas do palco e instalaram de última hora uma câmera para filmar o show todo, o que deu uma esperança aos fãs, pois em entrevista a uma rádio argentina, o guitarrista Uruha havia anunciado que lançariam um DVD da World Tour.

A meia hora de espera depois que todos já haviam entrado pareciam eternas, e quando faziam anúncios pelo microfone, era mais gritaria e empolgação. Alguns dos avisos feitos foram para as pessoas tomarem cuido para não empurrar, não subirem uns em cima dos outros para verem melhor, e o mais importante de todos: não fotografarem ou filmarem, regra essa feita a todos os países, pois como vocês já sabem, as bandas japonesas são muito rígidas no que se trata da divulgação de sua imagem. Tanto é que a imprensa não pôde entrar com nenhum tipo de câmera. O último aviso foi para tomarem cuidado com os bate-cabeças, mas para este o público nem deu atenção, pois estavam no show do the GazettE!

Os anúncios no microfone foram o estopim para que os fãs começassem a chamar o nome da banda com todas as forças de seus pulmões. “Gazetto! Gazetto! Gazetto!”

Mas ainda não era a hora do show começar, e apesar do tremor que se alastrava pelo Victory, ainda restava algum tempo de espera.

Foram necessários mais 15 minutos de espera, e então, finalmente veio o último anúncio da noite.

Os fãs provavelmente nem se lembram dele, pois a emoção era demais nesse momento. O público começou a bater palmas e chamar o nome da banda. E por fim, o silêncio que veio com o fim da música de fundo que tocava no local, foi substituído pela maior onda de gritos.

Uma batida dançante seguiu e com ela, os integrantes foram tomando seus lugares no palco um a um. Kai, Reita, Aoi, Uruha e Ruki, nessa ordem, todos entraram acenando, e então o ritmo conhecido da primeira música, VORTEX.

O público foi à loucura, gritando e cantando a música, mas o que dominava o lugar era o bate-cabeça. Na frente, os fãs praticamente subiam na grade para bater cabeça, como nos shows japoneses.

A cada movimento diferente dos integrantes, uma nova gritaria ensurdecedora começava. Fossem as reboladas do guitarrista Aoi ou os biquinhos feitos pelo guitarrista Uruha. E quando este último sorriu pela primeira vez, foi como se metade do recinto desmaiasse.

No começo Aoi e Reita pareciam estar um pouco tímidos, mas a todo momento Kai podia ser visto sorrindo de sua bateria, que havia sido colocada numa plataforma mais alta para que todos pudessem vê-lo.

A gritaria só parou mesmo quando todos se uniram para cantar “I don’t wanna become a fucking garbage like you!”.

A segunda música começou sem intervalos. Era Before I Decay, para a alegria dos batedores de cabeça. Nessa, todos puderam ouvir o baixista, Reita fazendo backing vocals.

As luzes e o som estavam muito melhores do que em outros shows de J-Rock que já tiveram no Espaço Victory, permitindo aos fãs viverem as batidas intensamente.

Em seguida, o público pode delirar com LEECH. Os fãs já estavam todos suados, mas não podiam evitar de fazer mais bate-cabeça e pular e gritar e cantar.

Muitos estavam passando mal, pois o calor só aumentava. E pessoas já haviam precisado de macas para serem retiradas.

No pequeno intervalo que se seguiu, os quatro integrantes da frente se viraram de costas para público e ficaram junto à bateria. Os fãs logo começaram a clamar o nome da banda, e então do vocalista Ruki, depois do guitarrista Uruha que se virou e acenou.

“Oi gente!”, disse Ruki em português ao se virar para a multidão, “Somos the GazettE”. E continuou falando em nossa língua “Estão prontos? Estão prontos?!”, recebendo diversos gritos como resposta. “Venham comigo” e “COME ON!!” serviram para empolgar o público para a música seguinte, GABRIEL ON THE GALLOWS.

Era impossível tirar os olhos do vocalista na introdução da música e Uruha continuava seduzindo as fãs que estavam em sua frente, fazendo biquinhos e sorrindo, apontando para elas, que apontavam de volta, enquanto Ruki se alisava e Aoi mandava beijos, levando as fãs de ambos à insanidade.

Ruki fazia guturais e dava pra ver que Reita já se soltava. Kai cantava o tempo todo, enquanto atacava a bateria.

Com a intro de VENOMOUS SPIDER’S WEB, a banda pôde se certificar que estes fãs do outro lado do mundo sabiam cantar perfeitamente todas as músicas e talvez tenham se surpreendido com isso. Batendo palmas, até mesmo a introdução “PAIN GRUDGE SORROW FURY DELETE HEADACHE HANG-UP DIZZY” foi urrada pelo público.

Ao final desta, mais uma vez a multidão gritou o nome da banda diversas vezes, batendo palmas. Logo foi a vez de chamarem o nome do baterista sorridente, Kai, mostrando o amor do público brasileiro, já que ele havia sido bastante desprezado pelas fãs argentinas.

Depois de um breve momento de silêncio por parte da banda, uma pequena melodia sombria se iniciou, com o som de um relógio que logo causou a histeria dos fãs. Era a vez de THE SUICIDE CIRCUS. Foi incrível ver todos cantando juntos nas primeiras estrofes da música. Os únicos gritos ouvidos eram reações às graças feitas pelos integrantes.

Foi ensurdecedor quando ao fim da canção, o público clamou pelo nome do guitarrista Aoi.

DRIPPING INSANITY veio em seguida, para dar um momento de calma para os fãs recuperarem seus pescoços. Essa era a parte no meio do show, onde normalmente a banda toca suas músicas mais lentas.

Ruki cantou os refrãos com emoção, e o público o acompanhou também muito emocionado. Mas nada os preparou para o momento que estava por vir.

Antes da próxima música, foi a vez dos fãs gritarem o nome do baixista, Reita, enquanto na região mais próxima a grade, mais algumas pessoas eram retiradas por passar mal. Algumas delas saiam totalmente desacordadas, pois o calor era infernal e parecia piorar a cada minuto.

Foi então que tocaram as primeiras notas da que pareceu uma das músicas mais esperadas. UNTITLED. Logo aos primeiros toques, a multidão foi à loucura. Muitos começaram a chorar, alguns copiosamente. Havia pessoas gritando ao chorar, colocando todas as emoções de poder ver sua banda favorita ao vivo para fora. Alguns nem conseguiam cantar, de tanto chorarem. Foram os minutos de maior emoção da noite.

Nas primeiras frases da música, quem não estava tão emocionado pode perceber que pelo menos o vocalista estava, pois sua voz saiu embargada de sentimentos. Em um momento, enquanto olhavam seus fãs da grade se matando de chorar, pode-se ver que Ruki e Uruha estavam com os olhos cheios de lágrimas também. No final, os gritos foram substituídos com muitas palmas, e todos clamaram o nome de Ruki, depois de Uruha e Aoi.

Alguns fãs ainda estavam completamente emocionados, e mesmo depois do final da música não conseguiam parar de chorar. Mas a banda tinha planos para mudar completamente os ânimos. Gritos de pessoas se esgoelando podiam ser ouvidos chamando os nomes dos integrantes aleatoriamente.

“Uh~”, começou Ruki, “oh yeah!”. “Estão se… divertindo?” , ele perguntou baixo e pausadamente. “Estão se divertindo?”, perguntou novamente em português. “Oh yeah… Vamos nos divertir ainda mais?!” , perguntou dessa vez em japonês, de modo mais enérgico. “VAMOS BRASIL!” , gritou em português “COME ON!”.
Começaram então as batidas americanizadas de AGONY, uma das duas surpresas na setlist. Todos no local começaram a pular no ritmo da música e acompanharam as frases em inglês falho, mas que todos sabiam cantar. Nessa hora, Aoi e Reita que já estavam mais soltos andaram pelo palco. E o guitarrista rebolava muito e mandava beijos.

Sem dar nenhum tempo para o público recuperar o fôlego, começou CLEVER MONKEY, com uma nova onda de bate-cabeças, com ânimo redobrado devido ao momento de descanso anterior.

Ao final, os fãs chamaram os nomes de Reita e Kai, e deliraram quando o baterista levantou e acenou para a multidão.

Ruki começou mais um MC. “Hey yo, Brasil! Querem se divertir mais?! Vocês aguentam mais?!”, perguntou em japonês, empolgado. “Então, venham. ENTÃO, VENHAM!”. O público gritava com todo o ar de seus pulmões em resposta para mostrar o quanto estavam curtindo o show. Todos foram a loucura com as frases e batidas marcadas tão conhecidas, que o vocalista sempre usa os shows japoneses para empolgar os fãs.  “Vamos? Vamos? Vamos? ENTÃO VENHAM!”

Foi a chamada para a próxima música, DERANGEMENT, que foi a de trabalho do álbum DIVISION. Assim, todos sabiam a letra e cantaram com todas as suas forças.

O guitarrista Uruha parecia empolgado em seu solo nessa música, e não se podia tirar os olhos dele com todo seu carisma.

Mais uma vez sem intervalo, passaram para a música seguinte, REQUIRED MALFUNCTION.

À essa altura do show, a ambulância que se encontrava do lado de fora da casa para atender o público estava lotada. E pessoas que haviam passado mal se espalhavam por toda sua volta também. Eram muitos.

Durante essa música, a maioria das pessoas provavelmente não reparou devido a empolgação, mas houve um pequeno problema técnico com a bateria de Kai. Então um staff subiu para ajuda-lo a arrumar, mas Kai apenas bateu e empurrou o staff para que não o atrapalhasse e continuou a tocar mesmo sem parte da bateria, cheio de animação.

O povo ia à loucura com a banda agora totalmente solta no palco, todos se divertindo bastante, preparando para a canção seguinte.

“Hey yo, Brasil!”, gritou o vocalista. “A última música”. E assim começaram os acordes de FILTH IN THE BEAUTY, seguidos pelos gritos enlouquecidos da plateia.

Logo na segunda estrofe Ruki parou de cantar, dando a vez para o público mostrar o que sabia. E então sorriu com o que ouviu. Foi nessa música que os pais que estavam acompanhando seus filhos puderam ver que realmente é possível fazer bate-cabeça enquanto se toca instrumentos em um show de Rock. Foram tantos bate-cabeças que algumas pessoas devem ter saído até tontas. Mesmo sem espaço, os fãs davam seu jeitinho de mostrar como se deve se divertir num show do the GazettE.

A guitarra de Aoi foi deixada no palco tocando os últimos acordes em repetição enquanto os membros deixavam o palco.

 

Encore

Tão logo terminou, a multidão começou a pedir por “encore, encore, encore”, como nos shows japoneses. E também pela música que mais gostariam de ouvir, mas que até o momento a banda não tinha dado o gostinho a nenhum dos países da turnê, Miseinen.

Um dos pedidos mais feitos também foi o de água, mas que dificilmente foi atendido. Aparentemente, os produtos do open bar já tinham quase se esgotado.

Foram necessários cerca de 10 minutos para que a banda voltasse ao palco. Reita, Kai e Uruha com camisetas da turnê e Aoi com a camiseta do Brasil, onde podia-se ler “Superstar” nas costas, e ele fez questão de mostrar isso ao público.

O líder, Kai, entrou filmando a multidão, fazendo todos gritarem em excitação. O outro guitarrista, Uruha, trouxe consigo um staff com uma câmera para tirar foto com as fãs que estavam em seu lado do palco. Ele se abaixou para que todos pudessem sair na foto e se levantou com um enorme sorriso, agradecendo a elas. Reita mostrava a língua e fazia caretas.

Já Ruki, não havia trocado de roupa e nem fazia nada em especial, mas o sorriso em seu rosto mostrava que estava satisfeito com o que tinham feito até agora. Mas as músicas do encore ainda estavam por vir.

Os integrantes tomaram seus lugares e logo o público se pôs a pedir Miseinen novamente.

“Hey, Brasil”, disse Ruki, interrompendo os clamores. “A próxima música… SHIVER”.

Conversando com os fãs presentes naquele dia, descobrimos que essa era uma música que a maioria descartaria do show, mas quando ela foi tocada, não podiam negar que todos gritaram quando ela foi anunciada, e que todos sabiam canta-la.

Os pedidos de Miseinen continuaram ao fim da música, mas esse pedido, infelizmente não seria atendido. “Oh yeah, Brasil!”, chamou o vocalista mais uma vez. “Vocês aguentam continuar?!”, “ENTÃO VENHAM!” , ele repetiu várias vezes, fazendo aumentar a tensão na casa de show. “COME ON!”. E então veio a segunda surpresa da noite, HYENA. “COME ON, BRASIL!!”, gritou Ruki, seguido pelo grito de Reita que abria a música para o momento de maior empolgação da noite, tanto por parte dos fãs, como da banda.

Aoi não perdeu tempo em mostrar sua nova tatuagem aos fãs, que ficaram ensandecidos. Enquanto Reita se mostrava totalmente à vontade no palco agora. Houve um momento em que Uruha e Ruki fizeram seu fanservice clássico, onde os dois pararam no centro do palco e o vocalista colocou uma mão por dentro da camiseta do guitarrista e – supostamente – acariciou seus mamilos, fazendo-o rir e levando a todos a loucura pela milésima vez no show.

Os dois guitarristas também trocaram de lado durante essa música, para dar um pouco de suas performances para as fãs do outro lado.

Nos acordes finais, mais uma vez Ruki chamou os fãs “Hey yo, Brasil! HEY YO, BRASIL!!”. E o público sabia o que estava por vir. “A ÚLTIMA!! A ÚLTIMA!! LINDAAA!!!”. E todos começaram a bater as palmas características do início de LINDA ~candydive Pinky heaven~, seguindo Aoi que também fazia o mesmo, com um leve sorriso no rosto.

Os fãs fizeram o que puderam para curtir ao máximo a última música, e pularam, gritaram, cantaram e se divertiram. E claro, bateram cabeças como se não houvesse amanhã.

Como não podia faltar, Reita fez seu giro com o baixo durante Linda, e quase acertou Uruha por acidente, mas ninguém pareceu ligar, todos atentos a tudo que acontecia no palco, tentando gravar em suas memórias esse dia tão marcante.

Ao fim da música, o publicou aplaudiu e gritou com tudo o que pode, para agradecer aquele show incrível.

“Obrigado!!”, disse Ruki várias e várias vezes em português, visivelmente emocionado.

Reita foi o primeiro a deixar o palco, seguido de Uruha que acenou para os fãs e sorridente jogou palhetas. Inclusive, deu uma de suas palhetas direto na mão de uma fã que tinha a tatuagem de seu kanji em um dos ombros.
Aoi mandou beijos e atirou palhetas antes de sair. Kai também jogou 4 baquetas e saiu sorridente.

Ruki foi o que ficou mais tempo. Depois que os outros haviam saído, ficou jogando garrafas de água e uma toalha para os fãs que começaram a gritar o nome da banda, e ao ouvir isso, o vocalista fez pose, com uma cara de “É, esses somos nós, e nós somos foda”.

E assim silenciou o último acorde daquela noite, deixando um enorme gosto de quero mais em todos que estiveram ali presentes.

Enquanto assimilavam que o melhor show de suas vidas havia terminado, os fãs por todo o lado procuravam seus amigos para se abraçarem e chorarem juntos, ou gritarem juntos, ou sorrirem juntos. Mas é certo que esse show deixou todos os Sixth Guns brasileiros mais próximos uns dos outros, e mais apaixonados pela banda.

Em seu twitter Ruki ainda agradeceu depois.

“Obrigado!Brasil!
Foi o melhor!
Eu te amo✟
Vejo você por aí! ↑

Desculpem a má Português…”

E ao final da turnê, que ainda rodou por alguns países da Europa, ele acrescentou:

“Please expect a next world tour!
See you also always.
Thanks all 6guns.”

 

SETLIST

1. VORTEX
2. LEECH
3. BEFORE I DECAY
4. GABRIEL ON THE GALLOWS
5. VENOMOUS SPIDER’S WEB
6. THE SUICIDE CIRCUS
7. DRIPPING INSANITY
8. UNTITLED
9. AGONY
10. CLEVER MONKEY
11. DERANGEMENT
12. REQUIRED MALFUNCTION
13. Filth in the beauty

ENCORE:
14. SHIVER
15. Hyena
16. LINDA ~candydive Pinky heaven

Deixe um comentário