the GazettE no Brasil

Depois de anos de espera pela maior parte dos fãs da banda, o the GazettE finalmente decidiu fazer uma turnê mundial, passando por nosso país para um show em São Paulo no dia 14/09/2013.

Como não podia deixar de ser, os brasileiros sempre tão apaixonados por seus ídolos, começaram a fila no Espaço Victory uma semana antes do show. Os primeiros a chegarem logo decidiram que deveriam organizá-la, criando assim 3 listas e preenchendo-as com os nomes das pessoas que ao longo da semana seguinte chegavam para guardar seus lugares, na esperança de conseguirem ficar mais perto da banda. As listas foram divididas da seguinte forma: Membros do GFC, VIP e Pista.
Expectativa e ansiedade aumentavam ao longo da semana, enquanto os fãs acompanhavam o que acontecia nos outros shows da banda pela América Latina, sendo que alguns ainda seguiram a banda nos shows para o Chile e Argentina.

 

Aeroporto

Com uma informação que ‘vazou’, os fãs ficaram sabendo que a banda chegaria em terras brasileiras na quinta-feira, 12.09, às 21:00. E muitos deixaram amigos tomando conta de seus lugares na fila para poder homenagear a banda na chegada ao Aeroporto.
Já às 19:00, os fãs começaram a se reunir na entrada do terminal 1 de desembarque internacional, onde algumas barreiras já haviam sido colocadas estrategicamente.
O local aos poucos foi enchendo e os seguranças do aeroporto foram chamados para ajudar a conter os fãs quando a banda saísse de seu desembarque.
Por volta das 21:00, um staff da própria Yamato anunciou que o avião já havia pousado e que esperariam que todos os outros passageiros desembarcassem para que a banda pudesse ser recebida com toda a calma possível.

Os fãs brincavam enquanto as pessoas iam saindo com seus carrinhos de malas, assim como alguns dos próprios passageiros achavam graça da multidão e faziam como se fosse tudo uma festa para eles.
Passado algum tempo, a tensão ia aumentando e chegava a ser palpável. Todos com suas câmeras e celulares a postos. Alguns fãs até mesmo tentavam ver através dos vidros opacos do aeroporto um pouquinho que fosse dos ídolos, deixando todos ainda mais nervosos.
E como se não bastasse, algumas aeromoças saiam querendo ser legais e diziam “O avião deles já pousou!” ou “Eles já terminaram de pegar as malas!”.
Foi então que o primeiro par de olhos puxados saiu: um staff portando uma câmera. Foi como se a própria banda tivesse dado o ar da graça, tamanha a gritaria, mas que logo morreu quando notaram que ele estava sozinho.

Este era o staff que estava encarregado de todas as gravações oficiais da World Tour, filmando partes de shows e a reação dos fãs. Aqui não foi diferente, e ele se colocou a postos para a banda que sairia em seguida, mas a demora ainda foi grande, e alguns fãs choraram diversas vezes durante a espera.
Então saíram mais alguns staffs, aqueles responsáveis pelos instrumentos de cada integrante, juntamente com o atual empresário do GazettE. A empolgação com a saída de todos foi tão grande que os fãs começaram a clamar pelo nome da banda. “Gazetto, Gazetto, Gazetto!” era o que podia ser ouvido pelos quatro cantos do aeroporto. Grito esse que morreu logo quando, mais uma vez, percebeu-se que ainda não era a vez de seus integrantes favoritos saírem pelo portão de desembarque.

Foi então que um rosto conhecido finalmente saiu. Era Asanuma Kaoru, maquiador da banda que ficou bastante conhecido por suas conversas com o vocalista Ruki e o guitarrista Aoi, pelo twitter. Os fãs gritavam seu nome e ele rindo, fez sinal de vitória, sendo bastante simpático com todos.

Entretanto, pela sua reação era de se notar que ninguém esperava a quantidade fãs ali presente.

Deste ponto, foi necessário apenas mais alguns minutos de espera, quando alguns passageiros desembarcavam e perguntavam:
“Quem vocês estão esperando?”, como perguntou uma senhorinha.
“Uma banda japonesa!”, responderam alguns.
“Ah, eu vi um japonês alto muito bonito!”, ela comentou.
E mais uma vez as aeromoças tão gentis passavam dizendo “eles estão parados escondidos ali atrás!”.
Quando os primeiros staffs da Yamato saíram arrastando carrinhos de malas a gritaria ensurdecedora começou. Muitas pessoas que passavam pelo local, ou que haviam acabado de desembarcar pararam nos arredores para ver o que ia acontecer.
Os integrantes da banda saíram um atrás do outro, tentando caminhar calmamente, mas foi impossível e Ruki, que era o primeiro, se apressou para ir em direção a Van que os levaria ao hotel, seguido por Uruha, Aoi, Kai e Reita.

Todos estavam de óculos escuros, e Ruki e Reita ainda usavam máscaras. O baixista ainda decidiu por colocar um capuz, não permitindo que nada de seu rosto ficasse à mostra.
Ruki sorriu um pouco, enquanto Uruha continuou tranquilo. Já Aoi parecia apavorado com a quantidade de fãs e Kai ficou sério o tempo todo.
Os fãs seguiram os integrantes até a van, e os gritos nunca paravam. Quando os quatro primeiros entraram na van, foi que o coro se unificou finalmente, todos chamando o nome da banda mais uma vez. “Gazetto, Gazetto, Gazetto!”.

Mas havia algo estranho, e foi aí que alguns staffs da Yamato apareceram tentando abrir caminho para um Reita preocupado que havia sido impedido de passar por alguns fãs um pouco atrás. (Há quem diga que uma fã ainda conseguiu dar um abraço no baixista nesse meio tempo).

Já dentro do veículo, os integrantes pareceram felizes com a recepção incrível dos fãs, fazendo poses para câmeras e rindo uns com os outros.

Tão logo a van saiu, foi possível perceber a choradeira que havia acometido os fãs, que por tantos anos esperaram por esse momento. Muitos choravam, outros estavam animados e corriam de um grupo ao outro, alguns ainda contavam que haviam tocado neste ou naquele integrante. Mas uma opinião era dividida por todos: os membros da banda eram muitíssimo mais bonitos pessoalmente. Afinal, todos pensavam que tudo não passava de photoshop e maquiagem. Mas ali, todos puderam ver que a beleza deles era real, deixando os fãs que estiveram na recepção com uma sensação surreal, e antecipando o que estaria por vir no sábado.

A partir do próprio aeroporto, muitos voltaram aos seus lugares na fila, e alguns foram para lá pela primeira vez. Mas o fato é que a fila se tornava maior a cada minuto.

Fila e Entrada

Na sexta-feira à noite já era grande a concentração de pessoas nos arredores do Espaço Victory, mais especificamente formando 3 filas, organizadamente. Ao contrário do que a tarde quente daquele dia prometia, a noite estava bastante fria, e alguns tiveram dificuldades em conseguir dormir. Mas também havia um grupo de pessoas que estava acostumado com aquelas condições, pois estavam ali há alguns dias, que fizeram festa a noite inteira e nem se incomodaram com o baile da terceira idade ou a balada de funk que estavam tendo na casa de shows.

Na manhã de sábado dava para sentir a empolgação de todos que estavam ali, e a quantidade de pessoas crescia a todo minuto, apesar do sol não estar perdoando ninguém. Tanto que chegou a ficar inviável a organização da fila por parte dos próprios fãs. E como que por ‘mágica’ diversos carrinhos de cachorro quente apareceram nas áreas próximas. (E quando digo diversos, quero dizer muitos mesmo!)

Ainda na parte da manhã, em alguns momentos foi possível ver vans ‘suspeitas’ rodeando o local, o que deixou os fãs ansiosos mais apreensivos. Mas a primeira coisa que chegou ao Victory foi o caminhão que abasteceria o tão falado ‘Open Bar’ da pista VIP.

A banda chegou ao lugar por volta das 13:00, e como não podia deixar de ser, a histeria se instalou ao redor da entrada e da van que os trazia. Os integrantes Aoi e Uruha saíram do veículo filmando os fãs, causando ainda mais furor. Mas a Yamato já havia prevenido a segurança deles, instalando grades por onde passariam.

Com a chegada dos staffs, a fila foi melhor organizada e, das listas de chegada feitas anteriormente, apenas a do Fã-clube foi mantida.

Ao longo do dia, os fãs trataram de colocar em prática seus fanprojects, como a bandeira do Brasil que passou para ser assinada por todos, as camisetas do Brasil com nome dos integrantes que foram entregues para que eles a usassem no encore e as bexigas que deveriam ser iluminadas por pulseiras neon que foram distribuídas aos que estavam mais a frente nas filas.

Quando os instrumentos começaram a ser ouvidos na passagem de som, muitos dos fãs mais próximos às janelas e entradas começaram a chorar, antecipando o show que estava por vir. A emoção que se sentia ao longo das filas era imensa e todos pareciam estar sorrindo.

Por todo lado podiam ser vistas pessoas que ainda queriam comprar ou vender ingressos, e não demorou para finalmente anunciarem que todas as entradas haviam sido vendidas. O Brasil foi o último lugar a ter os ingressos esgotados, mas também por ser o que mais teve ingressos à venda. Era impressionante a quantidade de gente no local. As filas se afastavam umas das outras, mas voltavam a se encontrar em algum ponto. A fila normal subia a rua, dava a volta num quarteirão, e descia novamente do outro lado, no que deve ter sido o show de J-Rock mais lotado em nosso país.

Foi por volta das 17:30 que o público pode começar a entrar no Espaço Victory, começando pela fila dos membros dos Fã clubes, Heresy e Global PSC. Haviam cerca de 50 pessoas que passaram por um processo de verificação de carteirinhas antes de entrarem. Com aprovação de todos, eles se auto numeraram por ordem de chegada, para entrarem mais organizadamente.
Ao entrar seriam divididos em VIP e Normal dependendo do ingresso que compraram, seu único privilégio era poder entrar mais cedo e receber um crachá especial de membros dos fã-clubes. Deveria também haver um presente extra, mas que aparentemente teve problemas com a alfândega de nosso país e não conseguiram chegar.
E como havia poucas pessoas, e a frente do palco era extensa, todos conseguiram garantir seus lugares na grade.

Com todos do FC lá dentro, começaram a ser servidas pequenas bandejas com coxinhas e esfihas, além de água e refrigerante. Haviam garçons andando por toda a extensão da grade e enquanto isso, os staffs da Yamato brincavam com os fãs, dizendo que quando a fila VIP entrasse, a grade não aguentaria e sairiam todos rolando. (rs) Sendo assim, eles logo trataram de colocar estruturas de sustentação ali, para um apoio maior.

Quando finalmente a pista VIP foi permitida entrar no Victory, por volta das 18:30, alguns pequenos incidentes ocorreram. Primeiramente, todos foram direto para a grade da pista normal, pois não perceberam que ficariam junto com os membros do FC e, quando finalmente notaram o erro, tentaram pular por cima das grades e correram para a pequena entrada da parte VIP, e nesse deslocamento de gente e grades algumas pessoas acabaram se machucando.

A parte VIP ficou tão cheia, que os staffs foram obrigados a afastar pra trás as grades que os separavam da pista normal, para terem mais espaço para respirarem. E com este espaço tão cheio e quente, muitas pessoas passaram mal antes mesmo do show começar e os staffs se esforçaram bastante para conseguir distribuir água para quem se sentia mal.

Uma menina com o pé quebrado e outra que se machucou durante a entrada do VIP tentaram ficar no espaço entre o palco e o público, mas não foram permitidas e tiveram que assistir o show da lateral deste espaço. Mas com medo de que uma delas pudesse fazer uma louca tentativa de subir no palco, a escada, que provavelmente serviria para os integrantes se aproximassem do público, foi retirada.

Quando já estavam todos suados e cansados foi a vez de entrar a pista normal, aparentemente sem incidentes graves. O local estava incrivelmente cheio, e tendo como base a lotação total do Victory de 5 mil pessoas, deviam haver umas 4 mil para ver o GazettE naquela noite.

E a loucura só estava começando.

 

Live Report por Mariana Lambert

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