Após a 2ª Grande Guerra Mundial, o Japão, que até então quase não tivera contato com outras culturas, passou a ser inundado pelos costumes ocidentais, inclusive na música. Por muito tempo, enquanto a economia japonesa se reestabelecia, a nação perdeu muito de sua identidade, levando ao desenvolvimento da cultura pop. Como em tantos outros lugares, a primeira influência do rock no Japão foi Elvis, seguido de tantos outros nomes da música americana, com toda sua irreverência e originalidade.

Alguns acreditam que o Japão moderno passou por uma fase de falta de personalidade por absorver tudo que as culturas ocidentais traziam consigo. Assim, o entretenimento característico do país encontrou poucas formas de levar sua própria cultura adiante. Até que, na década de 80, elementos dessa nova cultura foram se popularizando no ocidente, como os mangás e animes. Pouco depois, a questão das tribos urbanas e a moda destas também se tornaram conhecidas pelo mundo, e então foi a vez da música.

Sendo o Japão um país onde as tradições são levadas tão à sério, e onde a educação é tão rígida, o maior desejo dos jovens de se diferenciarem dos demais acaba sendo mais evidente do que em outros lugares do mundo. Afinal, a identidade para os japoneses está diretamente ligada ao vestuário.
Nesse contexto, surgiu o ambiente do rock visual japonês, mais conhecido como Visual Kei, onde a principal regra é ousar. Para tanto, misturam diversas influências, instrumentos, estilos.
J-Rock nada mais é do que uma abreviação do termo Japanese Rock, um nicho musical que abriga vários gêneros e um dos estilos alternativos que mais se destaca no mundo atualmente.

A primeira banda de J-Rock que se tem registro no Japão apareceu na década de 60, mas o movimento só se tornou mais distinto na década de 80, quando seus artistas chegaram a alcançar o mesmo nível de popularidade e sucesso dos artistas pop.

Alguns acreditam que a banda que iniciou o movimento nessa época foi a Boowy, que possuía influências do rock ocidental, porém com uma batida inovadora. Entretanto, a banda encerrou a carreira ainda no fim dos anos 80, dando lugar a novas bandas como X-Japan e Buck-Tick, que revolucionaram o cenário musical japonês.

Idealizada pelo baterista e pianista Yoshiki Hayashi, o X (que mais tarde viria a ser conhecido como X-Japan) foi a primeira banda de rock a se igualar com os artistas pop da época e, até hoje, faz sucesso no mundo todo.

Nos anos 90, inúmeras outras bandas surgiram seguindo os passos do X Japan, entre elas as famosas Luna Sea, L’arc~en~Ciel e Glay, que ficaram mais conhecidas no Brasil por gravarem algumas músicas tema de anime.

O cenário musical japonês possui inúmeras bandas, de diversos estilos. Algumas delas com tal influência ocidental que seus nomes são estrangeiros e suas músicas repletas de expressões e palavras em inglês. Porém esse fenômeno só alcançou o ocidente com o advento da internet, quando os fãs puderam alcançar todos os tipos de músicas, imagens e outros produtos que pudessem comprar.
O rock japonês, no entanto, não é diferente dos outros tipos de rock somente por vir de um país do outro lado do mundo. A principal diferença é a variedade musical, visto que uma banda pode mudar de estilo diversas vezes ao longo dos anos, em sua procura por novas influências, tornando difícil categorizar uma banda em um único estilo.

E a qualidade do rock nipônico inclusive está sendo reconhecida pelos artistas ocidentais, a exemplo do X-Japan, que após voltar a ativa, participou da trilha sonora do filme “Jogos Mortais 4”.

O Visual Kei, que é a vertente mais conhecida do J-Rock, se destaca, como o nome já diz, pelo visual das bandas, que elaboram cabelos, maquiagens, vestimentas e performances extravagantes.
Em meados dos anos 80, o Visual Kei ganhou força como uma necessidade desses artistas que tendem a se enfeitar para encenar sua música. Mesmo antes, nos anos 70, celebridades do sexo masculino do rock no Japão exploraram novas formas de expressão visual, adotando a moda, estilo, adornos e movimentos do sexo oposto.

Visual Kei é um estilo em que as bandas dão valor tanto ao conteúdo e à capacidade expressiva de sua música quanto à mega expressividade de sua aparência. Esse movimento tem cada vez mais adeptos no mundo ocidental – a ambiguidade, androgenidade, maquiagem, penteados volumosos, vestimentas femininas e uma produção invejável são o essencial desse movimento que vem crescendo no Japão desde 1985. A diversidade musical também é outro ponto que atrai as pessoas, e a utilização de instrumentos considerados clássicos, como piano e violino.

No estilo existem diversas bandas com influências e vertentes diferentes – do rock pesado (Heavy Metal) ao melódico, hard rock, death rock, ska, punk rock, misturando-se com batidas de rap, hip hop e soul.

Outra característica importante são as variações encontradas no alcance de notas, consideravelmente distantes, e emoções mais intensas no que se refere à interpretação. No entanto, as bandas mais originais são aquelas que conseguem com sucesso misturar estilos completamente diferentes, mantendo o espírito essencial da banda.

Foi com o Visual Kei que os jovens japoneses encontraram a melhor maneira de expressar sua individualidade.

Texto por Mariana Lambert

Deixe um comentário