Coletiva Completa

Entrega de Presentes e Despedida


Transcrição

Muita gente comenta se o estilo da banda ainda se encaixa no Visual Kei, ou se já é um pós-Visual Kei, ou um outro estilo. Sei que essa questão de rótulo nem sempre agrada os músicos, mas como você encara o estilo do X-Japan hoje?

Bem, quando começamos com a criação da banda, nós não… O problema é que não pertencíamos a nenhum lugar. Então, estávamos tocando música bastante pesada, mas usando muita maquiagem e roupas loucas. Então por não pertencermos a nenhum lugar, criamos nosso próprio gênero, que acabou por se tornar o Visual Kei. Mas o Visual Kei é mais um espírito, não um estilo. Acho que é a liberdade de descrever a si mesmo, liberdade de se expressar, é isso o que eu penso do Visual Kei. Então sempre que as pessoas nos categorizam, não nos importamos. Mas, provavelmente, somos Visual Kei.

Aproveitando a pergunta sobre estilo, atualmente vocês estão finalizando um novo álbum e ao mesmo tempo fazendo uma turnê mundial. Com esse choque cultural de outros públicos, como isso influencia o trabalho novo da banda?

Temos muita sorte por estarmos fazendo um tour pelo mundo. Também temos muita sorte por estarmos aqui no Brasil. Bem… Na verdade, estamos bem cansados, sim… Eu queria que os outros também estivessem aqui, mas eles estão descansando. Mas eu não. (risos)
É, quero dizer… Acho que tenho muita sorte por estar fazendo tantas coisas legais.

Olá, Yoshiki. Depois de tanto tempo sem fazer shows e apresentações com a banda, você encontrou alguma dificuldade de entrosamento com os outros integrantes após o retorno?

Sim… Antes de decidirmos trazer a banda de volta, foi preciso reatar nossa amizade primeiro. Então, uma banda é mais uma família. Então não é só se reunir e tocar, temos de passar muito tempo juntos, então… O que fizemos foi reatar a nossa amizade primeiro, e então trouxemos a banda de volta.

Aproveitando a pergunta dele, hide fazia muitas músicas, compunha. Eu queria saber como foi, na volta, a composição das novas músicas sem ele. As novas influências… Como vocês conseguiram se virar sem ele?

Bem, compor com ele… Bem, foi apenas, sabe, uma parte do tempo que perdemos. Bem, é como eu disse antes… Uma banda é como uma família. Então passamos muito tempo em turnês, em hotéis, aviões, trens, carros ou comendo juntos, então… Todo o tempo que passamos juntos, que compartilhamos, foi muito difícil deixar isso tudo passar, sentimos falta disso. Quando estamos em uma banda, a maior parte do tempo que passamos juntos, não é trabalhando. Sabe, nos divertimos. (risos)
Bem, é… Eu não sei o que dizer… Ele contribuía mais com, como se diz… Com os arranjos. Ele também compôs algumas músicas, mas… (pausa)
Algumas vezes, quando componho músicas novas, eu imagino como ele faria os arranjos. Mesmo a perda recente do Taiji… Ambos, o hide e o Taiji… Sabe, eles continuam em nossos corações e espírito, então… Bem, tentamos ser positivos sobre isso, não negativos, sabe.

Como vocês utilizam o SUGIZO na banda, mesmo tendo uma carreira solo?

Bem, ele é nosso amigo. Eu o conheço há quase 20 anos, então foi muito natural para ele fazer parte do X-Japan. Então, como vocês sabem, cada um dos membros, inclusive eu, temos uma carreira solo. Então… Ele se encaixou muito bem.

Mas e na composição? Na parte de compor.

Na composição? Sim, na verdade ele escreveu uma música, então espero que possamos incluí-la no novo álbum. Estamos vendo se vamos conseguir ou não. Mas mesmo para uma música que eu compus, ele compôs um solo. Então trabalhamos muito bem juntos.
Ah, ele também toca violino e piano muito bem, então nós também fazemos versões acústicas das músicas. Talvez vocês ouçam algo assim no show de amanhã.

Boa noite. Eu queria perguntar sobre a música “Art of Life”, que é uma música que se diferencia do repertório do X, por ter uma duração maior, de meia hora. Quando foi que você sentiu que estava no ponto, artisticamente falando, de compor uma música dessa grandiosidade e de onde veio a inspiração tanto pra letra como pra parte musical?

Bem, essa música tem quase trinta minutos de duração, então é bem diferente de qualquer coisa, não só do X-Japan. Maior que todas essas músicas de guerra, eu acho. Quem toca uma música de 30 minutos no rádio nos dias de hoje? (risos)
O motivo pelo qual escrevi essa música… Bom, acho que não me levaram a sério quando propus isso. Eu perguntei por que uma música precisava ter três, quatro ou cinco minutos. Digo, a música deve ser mais livre. Então eu disse: “E se eu escrever uma música de 30 minutos? Vocês tentariam tocar no rádio?” Eles disseram: “É claro!” Certo, então, duas semanas depois… É, eu levei cerca de duas semanas para escrever essa música. Então, duas semanas depois, eu disse “escrevi a música de 30 minutos”. Eles piraram. (risos)

Mas de onde você tirou a inspiração para a letra e melodia?

A inspiração para a “Art of Life”? Bem, as músicas do X-Japan, são, sabe… Algumas músicas não são ficção, são apenas minhas experiências. Então eu coloquei minha emoção, sabe… Bem, usei toda a minha dor, alegria… Coloquei tudo isso na letra. Então para a “Art of Life”, só pensei sobre a minha função na vida, sabe, como eu passei por tantas coisas… Porque eu estava muito… Não sei como dizer… Eu pensava muito em suicídio depois de ter perdido meu pai. Então eu não queria viver. Eu não sabia como sobreviver. Então se não fosse pela música, eu provavelmente não estaria aqui. Então, em vez de simplesmente enlouquecer, eu só escrevo músicas e mais músicas, letras e mais letras. Então… Provavelmente, essa música… É difícil para mim dizer, mas ela salvou a minha vida.

Eu gostaria de saber sua opinião sobre a evolução da música japonesa no exterior, a aceitação desde a época da criação da banda até agora, especialmente no Brasil.

Eu sei, é irado… Eu jamais imaginava algo assim há 15 ou 10 anos atrás. Bem… Recentemente eu fiz um facebook e um twitter, então recebo mensagens de vocês.
Há mais ou menos 15 anos, tivemos uma coletiva de imprensa em Nova York. Nós assinamos… Acho que foi há mais de 15 anos. Assinamos com a Atlantic Records. Naquele dia, um jornalista de algum lugar que não me lembro, ele disse “O que vocês estão fazendo aqui? Nem sabem falar inglês” Naquela época, eu não falava mesmo. (risos) Então antes de eu levantar e sair correndo, Ele perguntou “Você acha que a música japonesa vai dar certo?” Eu respondi que a música não tinha fronteiras. E depois de todos esses anos, estamos em uma turnê mundial. E também a música se espalha pela internet…
Eu acho que a música japonesa é muito única. Porque temos influência do ocidente e oriente, então acho que é apenas uma questão de tempo até que a música não venha mais apenas dos EUA, mas também do oriente. Assim, a música japonesa poderá ser bem popular no mundo. Eu acredito nisso há muito tempo, e isso agora está acontecendo. Isso é muito incrível.

Até agora, você tem recebido muitas mensagens dos fãs brasileiros?

Sim. Principalmente através do meu twitter, o @YoshikiOfficial.
E quando eu me comunico com os fãs do Brasil, a reação deles é a maior do mundo. É demais. E só por isso, eu não via a hora de vir para o Brasil. Fiquei feliz com tanto amor.

Eu queria saber se você tem alguma influência, nas suas músicas, das músicas brasileiras. Se você conhece alguma banda, alguma música brasileira, que tenha usado em composições ou que você gosta. Queria também saber o que estão esperando do público, que com certeza é diferente dos americanos e japoneses, se vocês acham que será diferente tocar no Brasil.

Bem, primeiramente… Quero ter a influência brasileira a partir de hoje. Quero dizer, é a primeira vez que venho aqui, venho tocar aqui, então… Eu gostaria de aprender o máximo que eu puder. Eu quero aproveitar essa cidade o máximo que eu puder. Eu quero aproveitar as pessoas o máximo que eu puder. Então, a partir de hoje, nossa música será influenciada pelo Brasil.
Então, para o show de amanhã… Esperamos algo que nunca experimentamos antes. Algo bastante memorável. Algo bastante, não sei, histórico.

 

Transcrição e edição da entrevista por Davi Ozolin

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